Parto vaginal e arterite de takayasu com suboclusão de principais vasos pélvicos: relato de caso

Vaginal delivery and takayasu's arteritis with subocclusion of major pelvic vessels: a case report

Authors

  • Marília Fonteles Dias
  • Yasmin Paes Galvão de Melo
  • Elson José de Almeida Júnior
  • Carlos Augusto Cavalcante de Vasconcelos

DOI:

https://doi.org/10.54022/shsv3n1-049

Keywords:

Arterite de Takayassu, Gravidez, Parto vaginal

Abstract

A Arterite de Takayassu (AT) é uma vasculite crônica de grandes vasos, tais como a aorta e seus ramos principais, com etiologia indefinida. A doença é mais prevalente em mulheres jovens e apresenta distribuição heterogênea globalmente. A incidência é maior na segunda e terceira décadas de vida, sendo laborioso diagnóstico por motivo de difícil suspeição de quadro clínico e da demanda por exames de imagens menos acessíveis. Embora etiologia desconhecida, postula-se uma relação complexa entre fatores autoimunes (antígenos HLA A9, A10, B5, BW40, BW52, DQW1, DR2, DR4, DR7, DW3 e DW12) predisposição genética e fatores imunogênicos, como infecções bacterianas, estão intimamente ligados a gênese dessa entidade. A lesão endotelial autoimune pode causar mudanças estruturais no leito arterial, como estreitamento, dilatação e oclusão dos vasos, possibilitando um quadro clínico exuberante e ocasionando desde sintomas localizados (microcirculação) artrite, lesões de pele ou lesões renais, até pulso paradoxal ou isquemia cerebral. O estado inflamatório também é descrito com a percepção de sintomas constitucionais, que variam em intensidade e repercussão, de acordo com fatores particularizados, como idade, vasos acometidos e estado gravídico-puerperal. O diagnóstico em pacientes gestantes é raro, e neste período gravídico-puerperal são agravadas as complicações.

 

2 Materiais e métodos

Foi relatado um caso de uma gestante portadora de AT, através da análise de prontuário, de exames complementares e relato da paciente. A mesma não realizou seguimento pré-natal por anseio das decisões e das prováveis consequências da doença de base. Realizou apenas único ultrassonografia obstétrica, que evidenciou feto, cefálico, peso 1913g(percentil 10), placenta posterior fúndica, grau 2, índice de líquido amniótico de volume reduzido, idade gestacional de 32semanas e 4 dias.

 

3 Relato

J.D.S.B., aos 13 anos, apresentou inicialmente quadro clínico, com sangramento transvaginal de grande monta, hiporexia, astenia e edema de membros inferiores, sendo considerada a possibilidade de doença autoimune. Em seguida, aos 16 anos, houve uma internação, a qual foi diagnosticada AT, por meio de exames, revelando o grau de acometimento dos vasos. A investigação radiológica evidenciou, em uma angiotomografia obliteração parcial das artérias cerebral anterior, carótidas comuns e internas, tronco braquiocefálico e subclávias, juntamente com espessamento mural difuso da aorta toracoabdominal, com redução progressiva do seu diâmetro. Oclusão parcial das artérias ilíacas comuns, com redução do calibre entre 50-70% das ilíacas internas e externas e redução superior a 70% do diâmetro da artéria ilíaca superior.

Downloads

Published

2022-03-23