As contribuições da medicina antroposófica ao processo de empoderamento e co-criação da saúde da mulher: revisão integrativa

The contributions of anthroposophic medicine to the process of empowerment and co-creation of women's health: integrative review

Authors

  • Débora Regina Buono Gontow
  • Rosália Figueiró Borges
  • Ana Paula Machado Scienza
  • Carine Schneider de Lima
  • Edileuza Nunes dos Santos
  • Maine Serena Pasa
  • Mariani Mello da Silva

DOI:

https://doi.org/10.54018/shsv3n1-006

Keywords:

Terapias Complementares. Antroposofia. Saúde da Mulher. Empoderamento. /, Complementary Therapies, Anthroposophy, Women's Health, Empowerment.

Abstract

As Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas (MTCI) são definidas como um arcabouço de abordagens em saúde, que contemplam o ser em sua integralidade e transpõem as barreiras entre a mente, o corpo e o espírito. No campo da saúde, analisa-se a manutenção de um modelo biomédico hegemônico, que é caracterizado pela centralização na biologia humana, na medicalização social, na fragmentação do cuidado e na assimetria das relações curador-paciente. O conservadorismo na formação dos profissionais de ginecologia obstétrica, o atrelamento da mulher à função reprodutiva, a regulação da sexualidade e a patologização dos corpos femininos são implicações destas normas biomédicas e, em meio à mercantilização e a impessoalidade dos serviços médicos, a mulher se viu despida de todo conhecimento sobre sua própria saúde. A Medicina Antroposófica rompe o paradigma da terceirização da saúde, ao propor o diálogo que integra as racionalidades médicas e, sobretudo, empoderando a mulher à participação ativa e ao protagonismo do processo de co-criação da sua própria saúde. Diante deste contexto, desenvolveu-se a questão de pesquisa: o que diz a literatura sobre a Medicina Antroposófica no processo de empoderamento e autonomização da saúde da mulher? Pretendeu-se analisar a produção científica referente aos principais benefícios da Medicina Antroposófica e as suas contribuições acerca da integralidade da saúde da mulher. Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório com ênfase em revisão integrativa da literatura. A coleta de dados, realizada por meio de uma consulta às bases de dados eletrônica da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e MTCI Américas no mês de julho de 2020, evidenciou um total de 35 artigos e após aplicar os critérios de inclusão e exclusão, obteve-se uma amostra de 25 artigos. Foi realizada a leitura dos resumos, totalizando uma amostra de 21 artigos, que foram lidos na íntegra, com utilização do sistema de nível de evidências. Os resultados das publicações foram abordados a partir do agrupamento em cinco categorias definidas a priori: câncer de mama, doenças crônicas e psicossomáticas, saúde da mulher, obstetrícia e sistemas de saúde. As evidências científicas sobre o processo de empoderamento e autonomização da saúde da mulher destacam que a Medicina Antroposófica se revela como uma ferramenta ativa de mudança no paradigma da doença à potencialização da saúde e caracteriza-se, portanto, como uma prática que contribui para o fortalecimento da autonomia e determinação da mulher nos seu processo de saúde-doença nas diferentes fases do ciclo vital.

Traditional Complementary and Integrative Medicines (TCMIs) are defined as a framework of approaches to health, which contemplate the whole being and overcome the barriers between mind, body, and spirit. In the health field, the maintenance of a hegemonic biomedical model is analyzed, which is characterized by the centralization in human biology, in social medicalization, in the fragmentation of care, and in the asymmetry of the healer-patient relationship. The conservatism in the training of obstetric gynecology professionals, the attachment of women to the reproductive function, the regulation of sexuality, and the pathologization of female bodies are implications of these biomedical norms and, in the midst of the commercialization and impersonality of medical services, women were stripped of all knowledge about their own health. Anthroposophic Medicine breaks the paradigm of health outsourcing by proposing a dialogue that integrates medical rationalities and, above all, by empowering women to active participation and protagonism in the process of co-creation of their own health. In this context, the research question was developed: what does the literature say about Anthroposophic Medicine in the process of empowerment and autonomy of women's health? The objective was to analyze the scientific production referring to the main benefits of Anthroposophic Medicine and its contributions to the integrality of women's health. This is a qualitative, descriptive and exploratory study with emphasis on an integrative literature review. Data collection, carried out by means of a query to the electronic databases of the Virtual Health Library (VHL) and MTCI Americas in the month of July 2020, revealed a total of 35 articles, and after applying the inclusion and exclusion criteria, a sample of 25 articles was obtained. The abstracts were read, totaling a sample of 21 articles, which were read in full, using the evidence level system. The results of the publications were approached from the grouping into five categories defined a priori: breast cancer, chronic and psychosomatic diseases, women's health, obstetrics, and health systems. The scientific evidence on the process of empowerment and autonomy of women's health highlights that Anthroposophic Medicine reveals itself as an active tool for change in the paradigm of the disease to the potentialization of health and is characterized, therefore, as a practice that contributes to strengthening the autonomy and determination of women in their health-disease process in the different stages of the life cycle.

 

Published

2022-01-12