Ciclo menstrual e performance esportiva: a percepção de atletas de voleibol de base

Menstrual cycle and sport performance: the Perception of grassroots volleyball athletes

Authors

  • Alexsandro André Becker Peiter
  • Rodrigo Lara Rother

Keywords:

Ciclo menstrual, Exercício Físico, Atletas de base, Síndrome pré-menstrual., / Menstrual cycle, Physical exercise, Youth athletes, Premenstrual syndrome.

Abstract

The menstrual cycle is a phenomenon that brings countless changes in a woman's life, from childhood to adulthood. Having hormonal discharges as the main cause, these changes can have a different impact on each woman and may interfere with work performance, social interactions, and even sports practice. The goal of this study was to analyze youth volleyball athletes’ perception of their menstrual cycle and how their performance can be impacted in different periods of the cycle, as well as to identify the occurrence of premenstrual syndrome. Twenty-nine volleyball athletes participated in this study, from the Sub-16 and Sub-19 youth categories, aged between 14 and 18, members of a club within the countryside of Rio Grande do Sul state. To analyze the profile of the athletes, their perceptions about the menstrual cycle and sports performance, in addition to tracking PMS symptoms, two questionnaires were used. The first questionnaire, which was elaborated by the authors, was named the Menstrual Cycle and Sports Performance Self-Perception Questionnaire. The questionnaire contained 16 close-ended questions regarding the athletes' profile, perception about the menstrual cycle, and their performance. The second questionnaire was named “Instrumento de Rastreamento de Sintomas Pré-Menstruais”, which is the Portuguese language version of the Premenstrual Syndrome Screening Tool - PSST questionnaire. To record and tabulate the results, an Excel 2017 spreadsheet was used. These results were analyzed and described through calculations of the mean, standard deviation, maximum and minimum values, and percentage values. Among the results, 4 athletes (13.8%) reported that the cycle does not interfere at all, 6 (20.7%) stated that the menstrual cycle interferes somehow, and 13 (44.8%) stated that it interferes a little, bringing it to a total of 79.3%. However, for 3 athletes (10.3%) the cycle interferes a lot and for 2 (6.9%) it interferes completely, adding 17.2% of interference in sports performance. One athlete (3.4%) was unable to answer whether it interferes or not. The menstrual follicular phase was the most cited as a generator of interference in performance: 4 athletes (13.8%) described their performance as poorly, 3 (10.3%) described as very poor and 13 athletes (44.8%) perceived the interference somehow, bringing it to a total of 68.9%. In the other menstrual phases, the answers did not show any negative interference in the performance, as high values ​​ for “good performance” were found during the three phases: 44.8%, 48.3%, and 44.8% respectively. It can be concluded that the phases of the menstrual cycle do not greatly interfere in the athletes’ performance, taking into consideration that the symptoms can vary from person to person. Furthermore, it is suggested that further actions aimed at women's self-knowledge and their menstrual cycle should be implemented.

 

O ciclo menstrual é um fenômeno que marca inúmeras mudanças na vida da mulher, desde a infância até a idade adulta, ocasionada principalmente pelas descargas hormonais. Essas mudanças podem impactar de forma diferente em cada mulher, interferindo no trabalho, nas interações sociais e até mesmo na prática esportiva. O objetivo deste estudo foi analisar as percepções de atletas de voleibol de base sobre seu ciclo menstrual e as relações com sua performance esportiva nos diferentes períodos do ciclo, bem como identificar a ocorrência da síndrome de tensão pré-menstrual. Participaram deste estudo 29 atletas de voleibol, das categorias de base Sub-16 e Sub-19, com idades entre 14 e 18 anos, integrantes de um clube do interior do Rio Grande do Sul. Para analisar o perfil das atletas, suas percepções sobre o ciclo menstrual e desempenho esportivo, além de rastrear sintomas de STPM, foram utilizados dois questionários. O primeiro, elaborado pelos autores, denominado Questionário de Autopercepção do Ciclo Menstrual e do Desempenho Esportivo. O mesmo contém 16 questões, todas fechadas, sobre o perfil das atletas, percepção sobre o ciclo menstrual e performance. O segundo, chamado Instrumento de Rastreamento de Sintomas Pré-Menstruais, é a versão em língua portuguesa do questionário Premenstrual Syndrome Screening Tool - PSST. Para registro e tabulação dos resultados foi utilizada uma planilha do programa Excel 2017. Estes resultados foram analisados e descritos através dos cálculos de média, desvio padrão, valores máximos, mínimos e percentuais. Entre os resultados, 4 atletas (13,8%) relatam que o ciclo não interfere em nada, 6 (20,7%) mais ou menos e 13 (44,8%) afirmam que interfere um pouco, totalizando 79,3%. Contudo para 3 atletas (10,3%) interfere muito e para 2 (6,9%) interfere completamente, somando 17,2% de interferência na performance. Ainda uma atleta (3,4%) não soube responder se interfere ou não. A fase folicular menstrual foi a mais citada como geradora de interferência na performance: 4 atletas (13,8%) sentem seu desempenho mal, 3 (10,3%) muito mal e 13 atletas (44,8%) percebem mais ou menos, totalizando 68,9%. Nas demais fases as respostas não evidenciaram interferência negativa na performance sendo que nas três encontraram-se valores altos para “desempenho bom”: 44,8%, 48,3% e 44,8% respectivamente. Pode-se concluir que as fases do ciclo menstrual não interferem de forma maioritária nas atletas, mesmo sabendo que os sintomas possam variar em cada pessoa. Além disso, sugere-se que ações voltadas ao autoconhecimento da mulher e seu ciclo menstrual devam ser realizadas.

Published

2022-01-06