O relato de experiência de mulheres que sofreram violência obstétrica e suas consequências

The report of the experience of women who suffered obstetric violence and its consequences

Authors

  • Marcus Tulio Caldas
  • Taciane Leal Botelho Araújo

Keywords:

humanized childbirth, women's health, women of childbearing age, gestation., parto humanizado, saúde da mulher, mulher em idade reprodutiva; gestação.

Abstract

A violência obstétrica é definida por qualquer ação que faça uso de força física, pressão psicológica, xingamentos, discriminação ou negligência ao binômio mãe-feto, pode ser praticada por profissionais, familiares ou desconhecidos. O projeto teve como objetivo geral compreender a experiência de mulheres que sofreram violência obstétrica e como objetivos específicos estudar as consequências da violência obstétrica sobre a experiência da maternidade e investigar a relação com o filho (s) e a família em mulheres que sofreram violência obstétrica.

Foram realizadas 12 entrevistas, abertas e individuais, sendo iniciada com as seguintes perguntas: “Você sabe o que é violência obstétrica? Como foi sua experiência durante a gestação, parto ou pós-parto? ” O projeto foi de natureza qualitativa e desenvolvida em uma perspectiva fenomenológica. Observou-se que 75% das mulheres foram atendidas em serviço público e 25% em serviço privado. No que se refere ao conhecimento sobre o tema constatou-se que 42% das entrevistadas não souberam definir ou nunca ouviram o termo anteriormente à pesquisa. Foi possível exemplificar casos de violência praticada por familiares associada à de profissionais, eventos envolvendo violência sexual seguido de violência obstétrica, toques vaginais grosseiros, culpabilização da mãe caso ocorra algum dano ou sofrimento ao recém-nato, xingamentos e constrangimentos. Foi identificado que 42% das entrevistadas não gestaram após o evento traumático. No que se refere a repercussões na família observou-se interferências na fase gestacional de parentes com aconselhamento quanto aos riscos de uma gravidez, de cuidados exagerados ou mesmo de medos absurdos afetando de maneira importante a esses familiares.  Na vida sexual da vítima, levando em algumas situações a longos períodos de abstinência, tanto por lesões na região genital por manobras inadequadas no parto ou por medo de uma nova gestação provocando mudança de planos reprodutivos, danos à saúde do bebê, conflitos e incompreensões familiares. Observa-se então que a violência obstétrica vai muito além do que apenas uma situação desagradável, sendo suas consequências fundamentais na vida da mulher e da família. É importante ressaltar que o conhecimento a respeito dos direitos da mulher na assistência é fundamental pois muitas parturientes aceitam essa terrível condição por puro desconhecimento.

 

Obstetric violence is defined as any action that uses physical force, psychological pressure, name calling, discrimination or negligence towards the mother-fetus binomial, it can be practiced by professionals, family members or strangers. The project had as general objective to understand the experience of women who suffered obstetric violence and as specific objectives to study the consequences of obstetric violence on the experience of motherhood and investigate the relationship with the child(ren) and the family in women who have suffered obstetric violence. Twelve open and individual interviews were conducted, starting with the following questions: “Do you know what obstetric violence is? How was your experience during pregnancy, childbirth or postpartum?” The project was qualitative in nature and developed from a phenomenological perspective. It was observed that 75% of women were assisted in a public service and 25% in a private service. With regard to knowledge on the topic, it was found that 42% of respondents were unable to define or had never heard the term prior to the research. It was possible to exemplify cases of violence practiced by family members associated with that of professionals, events involving sexual violence followed by obstetric violence, rude vaginal touching, blaming the mother in case of harm or suffering to the newborn, name calling and embarrassment. It was identified that 42% of respondents did not get pregnant after the traumatic event. With regard to repercussions on the family, interferences were observed in the gestational phase of relatives with counseling regarding the risks of pregnancy, exaggerated care or even absurd fears, significantly affecting these relatives. In the victim's sexual life, in some situations leading to long periods of abstinence, either due to lesions in the genital region due to inadequate maneuvers during childbirth or fear of a new pregnancy causing changes in reproductive plans, damage to the baby's health, conflicts and family misunderstandings . It is observed then that obstetric violence goes far beyond just an unpleasant situation, with its fundamental consequences in the life of the woman and the family. It is important to emphasize that knowledge about women's rights in care is essential because many parturients accept this terrible condition out of sheer ignorance.

 

Published

2022-01-04